Itajubá sediou primeiro Hackathon das Clínicas, com ideias inovadoras para promover um hospital enxuto

Postado em: 01/09/2025

Mais de 40 participantes das mais diversas áreas de atuação se reuniram para pensar soluções capazes de aprimorar a assistência à saúde e trazer economia para hospitais e gestão pública

A primeira edição do Hackathon das Clínicas de Itajubá aconteceu no fim de semana entre os dias 22 e 24 de agosto, no auditório do Centro de Empreendedorismo da UNIFEI (CEU), em Itajubá (MG). O tema escolhido foi “Hospital Enxuto”, que designa um ambiente hospitalar mais eficiente, no qual há gestão inteligente de recursos, com mais qualidade no atendimento, sem comprometer a sustentabilidade financeira da instituição. O foco do evento foi possibilitar a criação de soluções que melhorem a economia, promovam a otimização de processos, e, ao mesmo tempo, garantam uma melhor experiência tanto para os pacientes quanto para os colaboradores.

A ideia original do Hackathon nasceu de uma conversa informal durante o almoço de encerramento das atividades do ecossistema Itajubá Hardtech. Naquele momento, os presentes vislumbraram a realização de um momento inédito para a cidade: o primeiro Hackathon voltado à saúde em Itajubá.

Nos meses seguintes, o projeto tomou corpo com a adesão das instituições de ensino e empreendedorismo da cidade — FACESM, Inovai, CEU-UNIFEI, Faculdade Wenceslau Brás e Faculdade de Medicina de Itajubá (FMIT) — que se uniram em apoio à iniciativa. Em uma das reuniões, foi definido que o tema central seria o Hospital Enxuto, sugestão trazida pelo professor Ronaldo Abranches, diretor da FACESM, que brilhantemente contribuiu desde o início e passou a ser um dos grandes incentivadores do evento.

A partir daí, o Departamento de Ensino e Pesquisa do Hospital de Clínicas de Itajubá abraçou a ideia, reunindo patrocinadores, apoiadores e mentores para que o Hackathon realmente acontecesse. Nesta etapa, foi essencial a participação da professora Cláudia Alessandra Pereira Paixão, diretora da Faculdade Wenceslau Brás, e do professor Ronaldo, da FACESM, que se tornaram verdadeiros padrinhos do evento.

O modelo hackathon propõe que equipes multidisciplinares se reúnam em curto período, de forma intensiva, para pensar e desenvolver soluções inovadoras para um problema específico. Este formato ganhou o nome de hackathon porque une duas palavras em inglês que refletem o conceito: “hack”, de programar, criar; e “marathon”, de maratona.

O Hackathon das Clínicas contou com 80 participantes, sendo 40 participantes, 30 mentores que se revezaram entre os dias do evento e 10 colaboradores na organização. Foram apresentados seis projetos e deles saíram dois vencedores (primeiro e segundo lugares).

O evento teve tanto sucesso que sua segunda edição já tem data para ocorrer: março de 2026.

Dinâmica

Na sexta-feira (22), ocorreu a cerimônia de abertura, com a participação do facilitador de Inovação Fábio Ramalho, que apresentou uma visão geral do que estaria por vir. Na sequência, Dr. Seleno Glauber evidenciou como hospitais têm um grau de complexidade similar a de um aeroporto ou a de uma estação espacial. A gestão de organizações de alta complexidade envolve coordenar sistemas com muitos componentes e inter-relações, utilizando métodos como a interligação de processos e o planeamento que inclui incertezas, especialmente em áreas que combinam alta tecnologia e custos elevados. Sendo assim, ele apontou os maiores desafios atuais do hospital, como tabela SUS defasada, alto custo com recursos (pessoal e insumos), necessidade de investimento em tecnologia mais atualizada, entre outros.

Dr. Seleno Glauber
Fábio Ramalho

Ainda na noite de sexta-feira, Dr. Arthur Alberto Braga Guimarães, médico intensivista com mais de uma década de atuação no setor da saúde, com passagens por instituições de referência como o Hospital Público Regional de Betim, Instituto Mário Penna, IPSEMG falou sobre o futuro da saúde e a importância da inovação no setor. Logo depois, Danilo Fortes, gestor de operações da Diamond Nero, nossa patrocinadora diamante, apresentou o projeto da Casa da Nanotecnologia, iniciativa que está em fase de estruturação em Itajubá e que já conta com startups parceiras desenvolvendo soluções inovadoras, além de explicar as startups já incubadas pela empresa. Por fim, o consultor de Lean Healthcare, Daniel Alberto Pereira, explicou o projeto realizado no HCI que implementou a metodologia Lean no Pronto Socorro. A iniciativa conseguiu excelentes resultados que refletiram maior agilidade no atendimento aos pacientes.

Dr. Arthur Guimarães
Danilo Fortes
Daniel Pereira

No sábado (23), a farmacêutica e consultora de saúde digital Raíssa Ramalho abordou o mapeamento de processos em ambientes hospitalares, seguida de Ana Clara Gonçalves, enfermeira e coordenadora de Agilidade do Hospital Sírio Libanês, que explicou aspectos da validação de soluções e novas tecnologias no setor de saúde. Já o CEO da Dr On, Marcio Souza, abordou cases reais de inovação em saúde em sua palestra.

Raíssa Ramalho
Ana Clara Gonçalves
Márcio Souza

Mentores

Após as apresentações, os participantes se reuniram em grupos e começaram a conversar com os mentores sobre suas ideias iniciais. Para ajudá-los, o Hackathon das Clínicas contou com pesos pesados das áreas de inovação, empreendedorismo, saúde e tecnologia:

Ademir Filho – Product Owner no Hospital Sírio Libanês

Aline Almeida – Gerente de Marketing na MKK Off Road

Ana Clara Gonçalves – Coordenadora do time de agilidade do Sírio Libanês

Ana Lídia Moreira – Docente na FMIt e empreendedora em biotecnologia

Antonio Augusto Alves – Mestre em Engenharia da Produção e consultor de novos projetos no Hospital Albert Einstein

Arthur Alberto Braga Magalhães – médico, mestre em gestão da saúde e executivo em saúde

Carlos Mello – Docente na UNIFEI em Gestão do Processo de Desenvolvimento de Produto

Daniel Alberto Pereira – Consultor Lean nas Emergências, Master Black Belt em Lean Six Sigma

Flávio Mota – CEO & Cofundador da Descubra e docente na ETE FMC e na UNIVAS

Gabriel Iannuzzi – Cirurgião e Diretor Clínico do Hospital de Clínicas de Itajubá

Gerson Yosinari – Fundador da Luminai AI Solutions e docente na FMIt

José Lucas de Serpa Souza – Analista Criativo na empresa LOI (Creator Economy)

Juliana Caminha – Docente de Empreendedorismo e Inovação na UNIFEI

Leandro Lima – Administrador e Diretor Administrativo do HCI

Luana Braga – Enfermeira e Gerente de Enfermagem do HCI

Lucas Peixoto de Lima – Tech Lead, DeOps e Scrum Master na NeST Digital

Maikom Souza – Gerente Comercial e de Medicina Diagnóstica do HCI

Matheus Francisco – Docente de Indústria 4.0 e Machine Learning na UNIFEI

Melise Maria Veiga de Paula – Docente em Ciências da Computação na UNIFEI

Natália Rodrigues – Gerente de Tecnologia da Informação do HCI

Paula Gonçalves Ribeiro -Administradora e Gerente de Faturamento e Auditoria no HCI

Raíssa Ramalho – Farmacêutica e Consultora de Saúde Digital


Rodrigo Ribeiro de Paula
– Analista de TI no HCI

Ronaldo Abranches – Diretor da Facesm e docente na mesma instituição

Seleno Glauber – Cirurgião vascular, endovascular e radiologista intervencionista. Diretor Geral do Hospital de Clínicas de Itajubá (HCI)

Silvio Renato – Analista de TI no HCI

Thaís Martins – Gerente de Infraestrutura do HCI

Thiago Modesto de Abreu – Fundador da DataHydro

Walter Teixeira de Lima Junior – Vice-coordenador da Pós-Graduação em Inovação Tecnológica na Unifesp e docente no mesmo programa

Apresentação dos projetos

O domingo começou com a apresentação da Gerente de Marketing da MKK Off Road Aline Almeida, que falou sobre pitch, mostrando boas práticas, dicas e desafios. Após esse momento, os inscritos se reuniram novamente em grupo e continuaram a modelar os produtos, com auxílio dos mentores. À tarde, fizeram uma seção de pré-pitch e partiram para os últimos ajustes.

A cerimônia final e o tão esperado pitch contou com a presença dos jurados Conrado Navarro, investidor, CFO e empreendedor; Andresa Paes, gestora do Sebrae Minas na microrregião de Itajubá; Luana Braga, gerente de Enfermagem no HCI; e Robson Ribeiro Rodrigues, sócio-diretor da Medinovação, especializada em equipamentos hospitalares.

Durante o pitch, a plateia pôde conhecer o fruto do trabalho das últimas 48 horas dos participantes. Abaixo, um resumo de cada um deles:

Monitor FTPS

O projeto Monitor FTPS (Fluxo-Tempo do Pronto Socorro) visa solucionar a problemática dos longos tempos de espera nos prontos-socorros. A espera média para uma avaliação inicial é de 85 minutos e, para a reavaliação, de 120 minutos. Esses atrasos têm consequências graves, aumentando em 50% o risco de erro na assistência e podendo agravar em até duas vezes o quadro clínico do paciente. O público-alvo para esta solução são os hospitais de média e alta complexidade que possuem prontos-socorros com portas abertas no Brasil.

A solução proposta é um dashboard que monitora e otimiza o fluxo de processos no pronto-socorro. Essa ferramenta se integra ao sistema do próprio cliente por meio de uma API. A plataforma exibe o status dos pacientes nas filas de avaliação, em andamento e reavaliação, alertando quando um paciente excede o tempo de espera. Os principais benefícios incluem a otimização do tempo, a geração de indicadores, a satisfação do paciente e a melhoria do prestígio da instituição, tudo a um baixo custo. O projeto se diferencia pelo valor, facilidade de uso, adaptabilidade e por exigir poucos recursos. A equipe é composta por Ana Clara Queiroz, Izabella Beatriz Callai, Izabella Bellini, Juan Olano e Laura Lanza.

HealthFlow

O projeto Health Flow aborda a falta de comunicação e a incerteza que os pacientes enfrentam durante sua jornada no hospital. Este problema é significativo, uma vez que 25% dos pacientes já abandonaram uma instituição de saúde devido a longas esperas sem receber atualizações. O contexto do mercado de saúde brasileiro, com mais de 6.000 hospitais, revela uma lacuna importante: embora 69% das clínicas utilizem tecnologia em saúde, 72% delas nunca mapearam a jornada do paciente. A proposta da Health Flow é preencher essa lacuna, questionando o que aconteceria se cada paciente soubesse exatamente o que ocorre durante seu atendimento.

A solução é um “Hospital Experience & Transparency System” que combina humanização, tecnologia e cuidado centrado na pessoa. A plataforma oferece um aplicativo para o paciente acompanhar em tempo real o status de suas atividades, como medicação, cirurgias e exames. Para a gestão hospitalar, é fornecido um painel de controle (“Hoshboard”) com indicadores de desempenho, como tempo médio de ocupação, taxa de cancelamento de cirurgias, tempos de espera e previsão de altas. Os benefícios se estendem aos pacientes e seus familiares, à equipe profissional e à instituição de saúde. A equipe do projeto é composta por Anna Clara Cortes de Souza, Ana Elisa Gonçalves e André Aparecido Gonçalves Santana.

MedAlert

O projeto MedAlert propõe uma solução inovadora para a superlotação e o excesso de internações hospitalares. O problema central são as internações evitáveis, que correspondem a 39,2% dos casos em um hospital no interior de Minas Gerais. Condições como pneumonia comunitária e infecções do trato urinário são responsáveis por uma grande parcela desses casos. O objetivo do projeto é reduzir tanto o número de internações quanto os gastos hospitalares associados a elas.

A solução proposta é o aplicativo MedAlert, que permite ao usuário gerenciar informações de saúde importantes. As funcionalidades incluem o controle de vacinas, exames, consultas, medicamentos e o monitoramento de sinais vitais. O custo estimado para o desenvolvimento do aplicativo é de R$ 30.000,00, enquanto o custo evitado com internações é estimado em R$ 5.416.200,00. A equipe de gestão do projeto é composta por Anna Júlia, Amanda, Ana Lara e Marina.

Fluxum Health

A Fluxum Health propõe uma “gestão enxuta para salvar vidas”, focando em otimizar processos hospitalares. O projeto identifica que profissionais da saúde executando tarefas não assistenciais geram consequências negativas, como o congestionamento no fluxo hospitalar, atrasos em medicamentos, queda na qualidade do cuidado e desperdício de investimentos existentes.

Financeiramente, o absenteísmo de trabalhadores da saúde gera custos de R$ 25 milhões por ano, e as Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) podem elevar os custos do paciente em até 55%. Este cenário é particularmente evidente em hospitais de média e grande complexidade em todo o Brasil.

A solução oferecida pela Fluxum Health é uma metodologia prática para desafogar processos não assistenciais no Pronto Atendimento. O funcionamento da proposta se baseia em três pilares: o mapeamento de processos, a capacitação de profissionais e a personalização da solução para cada hospital com base em chamados. O projeto mira o Hospital de Clínicas de Itajubá (HCI) como um potencial primeiro cliente no Brasil a implementar essa transformação. A equipe por trás da iniciativa é composta por Romario, Rodrigo, Grégori, Jackeline, Luana e Emanuelly.

Greentech Care

A Greentech Care propõe uma solução para os problemas associados aos curativos tradicionais, que são considerados abaixo do ideal em mais de 63% dos casos, abrangendo desde a preparação até a execução. A empresa destaca que esses curativos convencionais representam um problema tanto para os pacientes quanto para o meio ambiente e a saúde de forma geral. O projeto se apresenta como uma alternativa que oferece benefícios, sustentabilidade e confiabilidade, em contraste com as compressas e gazes tradicionais, que não possuem essas características.

A solução da Greentech Care é a oferta de compressas e gazes biodegradáveis, que prometem um retorno lucrativo e uma redução de 28% nos gastos em comparação com os materiais tradicionais, que chegam a custar 72% a mais. O projeto foi validado por 50 pacientes, 10 profissionais de saúde e 5 profissionais do meio ambiente. A equipe é composta por Isabela Ribeiro de Carvalho, Maria Luiza Palma de Barros, Pedro Maia de Araújo Neto e Julya Lopes da Silva.

MaterLink

A equipe MaterLink propõe uma solução para a falta de comunicação entre a Atenção Primária e a Atenção Terciária na saúde da gestante, um problema que gera gastos desnecessários e aumenta os riscos de complicações maternas e neonatais. Atualmente, gestantes chegam à maternidade sem o devido acompanhamento pré-natal, e a ausência de comunicação contribui para o não comparecimento em consultas e exames. A negligência nos cuidados maternos é uma questão séria no Brasil, tendo levado o país a condenações pela ONU. A solução é a criação de uma interface para facilitar a comunicação entre a gestante e o Sistema de Saúde, visando integrar as redes de atendimento.

O projeto foca em gestantes com baixa adesão ao pré-natal e oferece um aplicativo com funcionalidades como acompanhamento da gestação, agendamento de consultas, conteúdo educativo, prontuário eletrônico e um chatbot com IA para dúvidas. O MaterLink busca um investimento de até R $300 mil através de parcerias entre universidade e empresa e planeja monetizar a plataforma por meio de parcerias com clínicas, laboratórios, marcas e um plano de assinatura. A equipe multidisciplinar é composta por estudantes de Enfermagem (Beatriz, Lara, Marcelo, Gabriela, Nathalia) e Engenharia Eletrônica (Bruna).

Vencedores do Hackathon das Clínicas

Após deliberações dos jurados, chegou o momento de anunciar os vencedores.

Em segundo lugar, a equipe Greentech Care foi agraciada, vencendo como o segundo melhor projeto e a melhor jornada até chegar a ele. E, em primeiro lugar, venceu a ideia da MaterLink, que aliou tecnologia para cuidar das gestantes e, ao mesmo tempo, otimizar o atendimento da assistência à saúde.

Patrocinadores

Esse evento só foi possível de ser realizado porque empresas apostaram na ideia e nos apoiaram financeiramente para que ele fosse adiante. Nossa patrocinadora diamante foi a Diamond Nero & Partners. Unimed Itajubá, Neurotec, Sebrae, G6 Internet, Unicred, Flow Vasc, Sicred, Medinovação e Toca do Cabloco também acreditaram no Hackathon e deram seu aporte financeiro.

Além deles, uma rede de apoio se formou diante da equipe organizadora. HCITec, braço de tecnologia do HCI; Itajubá HardTech, o ecossistema de inovação da cidade; Inovai, a associação itajubense de Inovação e Empreendedorismo; Faculdade Wenceslau Braz (FWB), Centro Universitário de Itajubá (FEPI); Facesm Escola de Negócios; FMIt|Afya e Centro de Empreendedorismo da UNIFEI contribuíram na organização deste evento.

O comércio da cidade também nos ajudou com o fornecimento de alimentos e bebidas. Por isso, a equipe tem muito a agradecer à Coxinharia do Totti, Restaurante Toca do Cabloco, Ma&Vi, Snoopy Lanches, Casa Sulina, Padaria Roma e Chá de Moda. 

Divulgação:

ASSESSORIA DE IMPRENSA HCI
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